Por Allan Kenned – Estrategista e Consultor de Marketing Político
Em meio às articulações políticas que já desenham os possíveis embates para 2026, um nome volta a figurar entre os protagonistas da cena política acreana: Jorge Viana. Com uma trajetória marcada por mandatos emblemáticos, feitos reconhecidos nacional e internacionalmente, e um legado político que ainda reverbera no estado, Jorge parece reposicionar suas peças no xadrez político do Acre – e o momento exige análise estratégica.

De engenheiro florestal à referência nacional em sustentabilidade política
Formado em engenharia florestal pela UnB, Jorge Viana iniciou sua atuação pública muito antes dos holofotes. Nos anos 1990, ao se eleger prefeito de Rio Branco, lançou as bases de uma gestão moderna e voltada para o planejamento urbano. Mas foi em 1998, ao conquistar o governo do Acre no primeiro turno, que seu nome consolidou-se como símbolo de uma nova esquerda amazônica, com discurso voltado à preservação ambiental, valorização do desenvolvimento sustentável e gestão eficiente.

Reeleito governador em 2002 com mais de 64% dos votos, seu governo ficou marcado por programas de valorização da floresta em pé e projetos pioneiros de certificação ambiental. Seu nome passou a ser reconhecido fora das fronteiras estaduais, recebendo prêmios como o “Gift to the Earth” (WWF) e sendo citado pela revista Time e pela CNN como um dos “Líderes para o Novo Milênio”.

O senador dos grandes projetos de lei
Na eleição de 2010 onde fiz parte do time de profissionais que realizou sua campanha eleitoral, Jorge Viana foi eleito senador da República pelo Acre. Durante seus oito anos no Senado, destacou-se como relator de importantes legislações, como o Novo Código Florestal, a Lei de Acesso à Biodiversidade e o Código de Ciência, Tecnologia e Inovação. Também ocupou a vice-presidência do Senado Federal, além de integrar comissões estratégicas como Meio Ambiente, Relações Exteriores e Defesa Nacional.

Mesmo fora do mandato, sua reputação o levou, em 2023, a ser nomeado presidente da Apex-Brasil, agência responsável por promover exportações brasileiras no exterior. Essa função lhe devolveu visibilidade institucional e reconexão com o cenário federal – algo que poucos políticos do Norte conseguem manter de forma ativa após ciclos de derrota.
As urnas e o reflexo do tempo
Em 2018, Jorge Viana tentou a reeleição ao Senado da República, mas acabou sendo derrotado em uma eleição marcada por um forte movimento de virada política nacional. A ascensão da direita bolsonarista e a força do discurso “Fora PT” influenciaram diretamente o cenário no Acre, impactando inclusive candidaturas sólidas, com histórico de gestão, trabalho e posicionamento claro — como a de Jorge. Mesmo com um currículo respeitado e ampla experiência legislativa e executiva, a campanha enfrentou dificuldades para construir uma narrativa conectada ao sentimento do eleitorado naquele momento.
Naquele pleito, as duas vagas ao Senado foram conquistadas por Sérgio Petecão (PSD), reeleito com mais de 170 mil votos, e por Márcio Bittar (MDB), que obteve cerca de 160 mil votos. Jorge Viana terminou a disputa em terceiro lugar, com pouco mais de 150 mil votos, resultado que demonstrou que, embora ainda tivesse força eleitoral, a onda nacional de rejeição ao PT e a falta de ajustes estratégicos na campanha local acabaram sendo determinantes para o desfecho.
A lição que 2018 nos deixou é clara: não basta ter trabalho prestado — é preciso ter comunicação estratégica e narrativa alinhada ao momento político. E isso vale dobrado em tempos de polarização.
Já em 2022, disputou novamente o governo estadual, conquistando 103.265 votos (24,21%) e ficando atrás do atual governador Gladson Cameli que foi reeleito.
Mesmo assim, essas derrotas não apagaram seu legado. Pelo contrário, reacenderam discussões sobre a necessidade de renovação de discurso, formato de campanha e reconexão com as novas gerações. Jorge ainda é visto por muitos como um símbolo do “Acre que deu certo”, mas precisará atualizar sua narrativa para disputar em um ambiente político cada vez mais polarizado e digitalizado.
2026: é possível um retorno?
Com a possibilidade de nova candidatura ao Senado – ou até de articulação majoritária em composições estratégicas –, Jorge Viana surge como uma peça-chave para a esquerda acreana. Experiência, lastro político, reconhecimento nacional e domínio de temas ambientais e econômicos são ativos de peso.
Mas a pergunta que fica é: Jorge conseguirá ressignificar sua trajetória e dialogar com o novo eleitorado acreano, mais digitalmente engajado como a geração Z que não conhece e não viveu as realizações de seu trabalho. E como convencer o eleitorado mais polarizado e com pautas distintas do passado? Eis o desafio de sua próxima campanha.
Análise estratégica final
Jorge Viana carrega o selo da institucionalidade. Seu histórico o coloca, sem dúvida, entre os maiores líderes políticos que o Acre já produziu. Um gestor visionário, que sempre buscou importar soluções de fora para aplicar no estado.
Só é bom o que vem de fora?
Curiosamente, esse mesmo impulso o levava a trazer também marqueteiros de fora — especialmente do Nordeste — para comandar as famosas campanhas do PT no Acre, como se aqui não houvesse inteligência política e profissionais à altura. Talvez à época realmente faltassem profissionais preparados. Mas hoje, pensando nas próximas eleições em 2026, essa leitura pode custar caro.
A eleição que se desenha não será vencida apenas com saudosismo recall de mandato, mas com estratégia afiada, leitura local e sensibilidade eleitoral real. Jorge pode, mais uma vez, ser derrotado — não por falta de currículo, mas por não apostar em quem entende a alma do eleitor acreano. O risco é perder para um adversário que tenha ao seu lado um estrategista do próprio Acre, que conheça os caminhos da nova forma de fazer campanhas políticas, os códigos e os sinais desse eleitorado com precisão cirúrgica.
No xadrez político de 2026, o futuro de Jorge Viana dependerá menos do que ele representa e mais das decisões estratégicas que ele for capaz de tomar. E isso inclui quem ele escolhe para estar ao seu lado — ou para pensar à frente.
É hora de fazer o que sempre aconselho aos meus clientes: reconectar com o presente, ajustar o discurso sem perder a essência e entrar no jogo político com estratégia e equipe alinhada aos novos tempos.
Porque, como digo sempre: quem não se adapta, perde. E quem não comunica bem, desaparece.
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🧠 Allan Kenned | Estrategista e Consultor de Marketing Político.
📲 Estrategista por trás de campanhas vencedoras no Norte do Brasil.
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